Uma casa, não uma assinatura — sobre o nome, o cuidado sem alarde e o desejo de receber antes de perguntar.
A pergunta
Tem gente que estranha. Uma clínica de psicanálise sem nome de gente, numa área onde quase todo mundo assina o próprio nome na porta, como quem grava a marca no gado.
Puxa uma cadeira, então, que essa conversa pede fogo baixo e tempo de sobra.
Casa
Casa é a palavra que veio primeiro, antes de qualquer teoria, antes de qualquer diploma pendurado na parede. Casa é o cheiro de lenha pegando fogo de manhãzinha, o café coando devagar enquanto ainda está escuro lá fora, a broa esfriando na tábua porque ainda é cedo demais para comer. Casa é onde a gente chega e pode ficar quieto, sem precisar explicar nada, sem precisar performar nada, só existindo ali enquanto o corpo se acalma e as galinhas fazem a festa delas no terreiro, brigando por uma minhoca que teve o azar de aparecer na hora errada. Uma sala de espera pode ser isso também, se for pensada com o mesmo cuidado que se põe numa cozinha de fogão a lenha. Um lugar que recebe antes de perguntar qualquer coisa, que não cobra postura, que deixa a bota suja ficar suja mais um pouco na varanda.
Camomila
Camomila é o chá que a avó fazia quando alguém chorava sem saber bem por quê, ou quando a noite vinha comprida demais. É gentileza sem alarde, sem grande gesto, um cuidado que não pede palco nem aplauso. Tem uma coisa mansa nisso, do jeito que é mansa a mula cansada voltando pela Estrada Real no fim da tarde, sabendo o caminho de cor, sem pressa de chegar. E mansidão não é fraqueza. É uma força que já provou o que precisava provar e agora só quer descansar os pés na terra.
As duas palavras
Junta as duas palavras e nasce um lugar, não uma assinatura. E é isso que eu quero para quem chega até aqui: que o espaço acolha antes de qualquer nome, inclusive o meu, do jeito que a casa do avô acolhia antes de qualquer explicação sobre quem era filho de quem.
"Que o espaço acolha antes de qualquer nome, inclusive o meu."
Cuidado é rede
Tem também uma lembrança que atravessa isso tudo, que vem lá de trás. Em algum momento aprendi, na prática e não só na teoria, sentado no chão batido de tantas casas que não são a minha, que cuidado raramente é coisa de uma pessoa só brilhando sozinha, feito vela na sala escura. É rede, é sustento coletivo, é algo que pertence ao lugar antes de pertencer a alguém em particular. A casa cuida de quem está dentro dela, e quem está dentro dela cuida da casa de volta. Ninguém é o centro por muito tempo.
O começo
Casa Camomila nasceu assim. De uma vontade quentinha de fazer clínica como quem prepara um chá para alguém que a gente ama, no fogão baixo, sem pressa, sem holofote, só com a certeza de que aquele calor vai fazer bem, e de que a rapadura na mesa vai estar lá quando a conversa acabar.
Esse é o mesmo cuidado que sustenta o atendimento de psicanálise online da Casa Camomila, no seu tempo, onde quer que você esteja — em Paragominas, em qualquer canto do Brasil ou morando fora, em português.
Ou, se preferir, fale comigo direto: cerceau.psicanalise@gmail.com